'Parecia que estavam tirando o piso da casa', diz venezuelana sobre susto da família com terremoto em Caracas
'Parecia que estavam tirando o piso da casa', diz venezuelana sobre susto da família A venezuelana Ana Katherina González Revidriego passou a noite desta quar...
'Parecia que estavam tirando o piso da casa', diz venezuelana sobre susto da família A venezuelana Ana Katherina González Revidriego passou a noite desta quarta-feira (24) em alerta após os terremotos de magnitude 7,2 e 7,5 que atingiram a capital Caracas. Ela vive em Ribeirão Preto (SP), mas familiares moram na região de Caracas, capital do país, onde os tremores provocaram desabamentos e deixaram, até o momento, mais de 160 mortos e quase mil feridos, segundo as autoridades. Uma prima de Ana Katherina vive em Lomas de la Trinidad, no município de Baruta, a sudeste de Caracas, com o marido e os três filhos . A residência, que pertence à família há décadas, fica em uma área montanhosa. Embora não tenha desabado como edifícios em outras partes da cidade, a propriedade sofreu danos estruturais. "A minha prima mora lá e estava no apartamento no momento junto com os filhos. Ela falou que sentia que tiravam o piso da casa, quando estava tentando subir as escadas. Ela disse que não conseguia pisar, que parecia que realmente tudo se movia", relata Ana. Faça parte do canal do g1 Ribeirão e Franca no WhatsApp Imagem mostra estragos e itens destruídos no chão de residência em Caracas após força dos tremores Arquivo pessoal De acordo com Ana, o tremor derrubou móveis e danificou a estrutura da residência. Louças, copos e vasos que estavam nas prateleiras da cozinha caíram e quebraram. A força dos abalos também abriu rachaduras na cerâmica do piso, nas paredes e na área da garagem. Apesar dos estragos materiais, os parentes conseguiram deixar o imóvel e não se feriram. Eles retornaram para o local horas depois e agora aguardam uma vistoria oficial da Defesa Civil para saber se o ambiente oferece segurança. "Eles estão aguardando a Defesa Civil ir ver, mas lógico que a Defesa Civil está priorizando os lugares que tiveram mais danos, prédios que caíram e onde a estrutura ficou realmente muito comprometida. Então, estão aguardando para ver como os pilares estão, para saber se dá para continuar morando lá ou se vão precisar consertar alguma coisa", diz Ana Katherina. Parede de casa de família venezuelana danificada com terremoto em Caracas Arquivo pessoal Susto durante jogo do Brasil A notícia sobre o desastre chegou enquanto a moradora do interior paulista assistia a uma partida da seleção brasileira na noite de quarta-feira (24). Segundo ela, como tremores de baixa intensidade costumam acontecer na região, a gravidade do caso não foi percebida de imediato. A dimensão da tragédia ficou clara apenas quando imagens de prédios destruídos começaram a circular na internet e nos noticiários. A preocupação com os familiares só diminuiu após o contato por telefone, quando a prima confirmou que todos estavam bem. "A primeira impressão foi: 'Ah, OK. Teve um terremoto, mas não deve ter sido um problema muito grande'. Mas aí começaram a comentar. A gente nunca tinha sentido um terremoto assim. Depois do maior deles, vieram as réplicas, que são mais curtas, porém estão sendo muito fortes", relembra. LEIA TAMBÉM: Venezuela busca vítimas soterradas de terremoto que já matou 164; VÍDEO mostra comemoração com resgates Terremoto 'duplo' na Venezuela teve 20 réplicas e foi sentido no Brasil: veja o que se sabe Terremoto de magnitude 7,5 atinge Venezuela e derruba prédios em Caracas Trinca no piso da casa de família venezuelana em Caracas Arquivo pessoal Falta de cultura de prevenção Os sismos registrados nesta semana são considerados os mais fortes na Venezuela em mais de um século. De acordo com Ana Katherina, os venezuelanos não recebem treinamentos preventivos oficiais sobre como agir, o que gera confusão nos momentos de pânico e fuga. As únicas instruções conhecidas pelos moradores são repassadas de forma informal, segundo ela. "A gente não é um país preparado para esse tipo de evento, porque não acontece normalmente. Não é como o Chile ou o Japão, em que as pessoas já estão organizadas e sabem o que fazer. A gente não tem uma orientação clara. Antes falavam para ficar embaixo de mesas, nem sei se ainda é recomendado. A gente só sabe que tem que tentar usar as escadas para sair ou ficar resguardado debaixo do marco das portas", explica. Equipes de resgate trabalham em local de desabamento para buscar sobreviventes REUTERS/Leonardo Fernandez Viloria *Sob supervisão de Thaisa Figueiredo Veja mais notícias da região no g1 Ribeirão e Franca VÍDEOS: Tudo sobre Ribeirão Preto, Franca e região