cover
Tocando Agora:

Entenda por que há menos alunos matriculados no ensino básico de Ribeirão Preto

Por que há menos alunos matriculados no ensino básico de Ribeirão Preto, SP? O número de estudantes matriculados no ensino básico em Ribeirão Preto (SP) r...

Entenda por que há menos alunos matriculados no ensino básico de Ribeirão Preto
Entenda por que há menos alunos matriculados no ensino básico de Ribeirão Preto (Foto: Reprodução)

Por que há menos alunos matriculados no ensino básico de Ribeirão Preto, SP? O número de estudantes matriculados no ensino básico em Ribeirão Preto (SP) registrou uma queda de quase 3,5 mil alunos entre 2024 e 2025. De acordo com o último Censo Escolar, a rede de ensino da cidade passou de 140.474 para 137 mil matrículas, um recuo de 2,5% que atinge as escolas municipais, estaduais e particulares. 🔎A educação básica no Brasil compreende o período escolar que começa na educação infantil, passa pelo ensino fundamental e termina no ensino médio. ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 Ribeirão e Franca no WhatsApp O movimento acompanha uma mudança demográfica na cidade. Dados do IBGE revelam que o número de nascimentos em Ribeirão Preto caiu 13% nos últimos cinco anos: foram 10.438 bebês registrados em 2019 contra 9.062 em 2024. Na prática, quase 500 crianças a menos nasceram no município de um ano para o outro, o que reflete diretamente na quantidade de alunos que chegam às salas de aula. Estudantes do Ensino Médio em sala de aula em Ribeirão Preto (SP); Censo Escolar 2025 aponta redução de 2,5% no total de matrículas na rede básica Reprodução EPTV LEIA TAMBÉM Pais reclamam de goteiras, mofo e piscina suja em escola municipal de Ribeirão Preto Ribeirão Preto deve atingir 1 milhão de habitantes em 70 anos, diz matemático Censo: Ribeirão Preto e Franca têm 128 crianças e adolescentes de até 14 anos vivendo em uniões conjugais Perfil das famílias em transformação Nas salas de aula da Escola Estadual Guimarães Júnior, no Centro de Ribeirão Preto, a inspetora Edna Gerolin percebe a mudança no perfil dos alunos após 41 anos dedicados à educação. Para ela, o esvaziamento das salas é um reflexo das novas prioridades das famílias. "Eles realmente diminuíram a quantidade. Os pais estão mais preocupados em dar saúde e educação para eles, e têm menos filhos por causa do gasto. A gente percebe isso no dia a dia deles", afirma Edna. Essa realidade é confirmada por estudantes como Ana Carolina dos Santos, de 17 anos. Filha única, ela explica que a decisão dos pais de não aumentar a família foi uma mistura de destino e praticidade. "Minha mãe não era daqui, era de Maceió e conheceu meu pai aqui, então eu não fui muito planejada. Depois, com o tempo, eles foram falando que não tinham mais paciência para ter outro filho, aí entraram nessa de não ter mais", conta Ana Carolina. A história de Lucas Trindade, também de 17 anos, segue o mesmo caminho, embora o desejo por um irmão fosse maior. "Eu sempre quis, tentei convencer minha mãe, mas nunca consegui. Teve certos momentos que ela até pensou em ter mais filhos, só que a ideia sumiu", relata o jovem. Os estudantes Lucas Trindade e Ana Carolina dos Santos, ambos de 17 anos: filhos únicos representam a nova realidade das famílias em Ribeirão Preto (SP) Reprodução EPTV Por que o número de alunos está caindo? Além da questão demográfica, analistas apontam que o sistema de ensino tem se tornado mais eficiente na "correção de fluxo". Segundo o especialista em educação Antônio Esteca, há uma redução na chamada distorção idade-série, causada pelas reprovações. "Existe um fator muito importante apontado pelo Ministério da Educação: o sistema está sendo mais eficiente, os alunos estão reprovando menos e concluindo o ensino médio mais rapidamente. Com isso, diminui a população que está cursando a educação básica", explica Esteca. No entanto, o especialista ressalta que o cenário nacional acende um alerta para a evasão escolar, especialmente no Ensino Médio. Em todo o Brasil, houve uma queda de 1,1 milhão de matrículas em apenas um ano. "Quando a gente olha o Censo, os alunos que estavam na segunda série do médio e foram para a terceira são bem menos. Houve uma queda da segunda para a terceira, o que indica evasão". Queda na natalidade e maior eficiência no fluxo escolar são apontados por especialistas como motivos para a redução de alunos nas escolas Reprodução EPTV A exceção das salas lotadas: o fator trabalho Apesar de a cidade registrar menos crianças nascendo e menos matrículas no total, a Escola Guimarães Júnior vive um cenário particular: as salas continuam com capacidade máxima. A explicação para essa aparente contradição está no modelo de ensino oferecido pela unidade. Diferente das escolas de período integral, que têm avançado na rede pública, a unidade mantém o ensino regular de meio período. A diretora Dulce Pereira explica que a demanda por esse modelo específico é o que garante as salas cheias, com 40 alunos cada. Para ela, a manutenção dessas vagas é estratégica para garantir que o jovem que trabalha não abandone os estudos por falta de opção de horário. "O menino vem para a regular porque precisa trabalhar, vai para o mercado de trabalho. Essa escola atende as necessidades dele", afirma. Fachada da Escola Estadual Guimarães Júnior, no Centro de Ribeirão Preto (SP); unidade de ensino regular é disputada por alunos que trabalham Reprodução EPTV O que diz a Secretaria de Educação A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo informou à EPTV, afiliada da Rede Globo, que mantém programas focados na permanência estudantil e contesta que a redução de matrículas esteja ligada diretamente à evasão. A pasta comunicou que realiza a busca ativa de estudantes a partir de três faltas consecutivas para evitar que o aluno abandone a escola. Assista à reportagem completa abaixo: Ribeirão Preto tem queda de 2,5% no número de estudantes no ensino básico Veja mais notícias da região no g1 Ribeirão Preto e Franca VÍDEOS: Tudo sobre Ribeirão Preto, Franca e região